Xi'an é o lugar aonde se vai para estar no início da história da China. Durante mais de um milénio, esta foi Chang'an — a „Paz Perpétua“ — capital imperial de uma sucessão de dinastias, dos Zhou Ocidentais aos Tang, e o término oriental da Rota da Seda, de onde as caravanas partiam rumo à Pérsia e a Roma. A Xi'an moderna é uma cidade acelerada com cerca de 13 milhões de habitantes, mas o seu coração histórico continua envolto por uma muralha completa da dinastia Ming, e quase cada portão, torre e pagode no seu interior guarda uma história que vale a pena ouvir. É assim que a cidade recompensa o viajante independente: caminhe ao seu ritmo e deixe que um audioguia lhe revele cada monumento à medida que lá chega.
Um exército que esperou 2.200 anos
Em março de 1974, camponeses que cavavam um poço a leste da cidade depararam com fragmentos de argila cozida — e revelaram o Exército de Terracota: milhares de soldados em tamanho real, enterrados para proteger Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China, na vida além-túmulo. Só o Fosso 1 alberga mais de 6.000 figuras e, como se sabe, não há dois rostos iguais. Os guerreiros são apenas a orla exterior de um complexo funerário que se estende por 56 quilómetros quadrados, a cerca de uma hora de carro do centro — e os relatos do audioguia sobre a obsessão do imperador pela imortalidade tornam as fileiras de soldados silenciosos ainda mais impressionantes.
A vida sobre (e dentro das) muralhas Ming
De volta à cidade, a muralha — erguida em 1370 e com cerca de 12 quilómetros em redor da cidade antiga — é uma das fortificações mais bem preservadas da China. Alugue uma bicicleta no Portão Sul e percorra o circuito completo enquanto o sol se põe sobre as torres de vigia. No interior, a Torre do Sino e a Torre do Tambor ancoram o centro, e logo atrás as vielas do Bairro Muçulmano enchem-se de fumo e burburinho todas as noites: massa biangbiang esticada à mão, pães recheados roujiamo, tigelas fumegantes de yangrou paomo. Aqui fica também a Grande Mesquita, um sereno complexo de pátios que funde arquitetura chinesa e islâmica — herança viva da comunidade hui da Rota da Seda.
Esplendor Tang, ontem e hoje
O Grande Pagode do Ganso Selvagem, iniciado em 652, foi construído para albergar as escrituras budistas que o monge Xuanzang trouxe da Índia — a viagem que mais tarde inspirou a Peregrinação ao Oeste. Combine-o com os tesouros Tang do Museu de História de Shaanxi e junte-se depois às multidões noturnas ao longo da Datang Everbright City, uma releitura em néon das ruas da dinastia Tang. Mais adiante ficam os pavilhões termais do Palácio Huaqing e os trilhos vertiginosos do monte Hua, um dos cinco picos sagrados da China.
Venha na primavera ou no outono, quando o clima é mais ameno, chegue com fome — e deixe que as histórias nos seus ouvidos voltem a transformar pedras e estátuas na capital de um império.