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Percurso

O velho Dubai nas duas margens do Creek

Do Museu Al Shindagha, pelas ruelas com torres de vento de Al Fahidi, até ao Souk do Ouro: o bairro do governante, um forte, a travessia de abra e os souks de Deira. Um percurso curto e plano por ruelas à sombra, com alguns minutos na água.

A pé≈ 2 h3,9 km9 locais

Percurso

Começa na ponta do velho Dubai, na língua de terra de Shindagha, onde o Creek encontra o Golfo aberto. Este era o bairro do governante, e as suas casas baixas de pedra de coral foram reconstruídas como um longo museu à beira da água. Há água dos dois lados: o mar para lá de Port Rashid a oeste, o Creek que se curva para o interior do outro. Sob os seus pés corre o túnel de Shindagha, aberto em 1975 como a estrada sob a foz do Creek; antes dele, tudo aqui ia de barco. O percurso mantém o Creek a seu lado o tempo todo. Telhados planos, torres de vento quadradas e dhows amarrados à porta dizem-lhe onde está.

  1. 1. Museu Al Shindagha

    Museu do património distribuído por vinte e duas casas históricas onde a família governante do Dubai se instalou pela primeira vez em 1833.

Siga o cais durante dez minutos com o Creek ao ombro. Esta margem é Bur Dubai, literalmente terra do Dubai, a cidade continental que a água sempre separou de Deira, em frente. As abras fazem a travessia o tempo todo, com motores que são o som mais alto do cais, e as torres de Deira alinham-se atrás dos dhows amarrados. Depois o passadiço entra sob cobertura. O Souk dos Têxteis anuncia-se com arcos de madeira muito altos apoiados em grandes pilares de metal, uma solução moderna a sustentar uma ideia antiga, e peças de seda, algodão e tecido de sari empilhadas nas portas dos dois lados. A própria arcada é a paragem.

  1. Antigo Souk de Deira – Bur Dubai

    Mercado têxtil coberto secular junto ao canal, o coração comercial que construiu o Dubai moderno.

Sai da galeria pelo lado do interior e segue pela Ali bin Abi Talib Street durante uns minutos, trocando a brisa do riacho pelo movimento das lojas de tecidos, sapatos e pulseiras. Este canto de Bur Dubai é o coração indiano da cidade velha. Comerciantes indianos já negociavam aqui no século XIX, e em 1958 o xeque Rashid permitiu-lhes um templo hindu por cima das lojas do souk, a poucas ruas de onde caminhas; desde janeiro de 2024 só o santuário de Krishna continua em funcionamento, tendo o de Shiva mudado para o novo templo de Jebel Ali. Os quarteirões são pequenos, por isso o horizonte abre-se de repente. O minarete da Grande Mesquita surge por cima dos telhados, e ao lado dele um forte atarracado cor de areia, com uma torre redonda no canto e grossas muralhas inclinadas. Esse forte é o museu.

  1. Museu do Dubai

    Forte de pedra coralina de 1787 com exposições sobre a pesca de pérolas e a transformação de uma aldeia piscatória em metrópole.

De volta à água, siga o passadiço para leste com o Creek ao lado. As ruelas junto ao Creek parecem antigas, mas não são: este é Al Seef, concluído pelo promotor Meraas em 2017, edifícios novos vestidos de torres de vento e arish de folhas de palmeira de forma tão convincente que um professor de arquitetura lhe chamou fraude histórica. O autêntico está a poucos passos para o interior, e a diferença nota-se. O passadiço afasta-se da água e estreita-se numa ruela em que se tocam as duas paredes; o reboco é claro e irregular, as portas são de madeira pesada e, acima da linha dos telhados, as torres de vento quadradas alinham-se. Quando a ruela se abre num pátio entre elas, está em Al Fahidi.

  1. Bairro Histórico de Al Fahidi

    Labirinto de casas de coral e gesso com pátios e torres de vento, construídas por mercadores persas no final de mil oitocentos e noventa.

Dois minutos de passeio e só há ruelas. Os emiratenses chamam a estas passagens sikkas, e foram feitas tão estreitas por uma razão: as paredes fazem sombra umas às outras durante a tarde, e a fresta entre elas conduz a brisa que as torres de vento lá no alto ainda não apanharam. O som desaparece depressa; a estrada principal fica para trás e ouve-se apenas o som dos seus passos na calçada. Galerias, uma casa de chá e pequenos cafés ocuparam algumas das casas com pátio, mas a planta do bairro não mudou. O Museu do Café fica numa delas: uma casa de dois pisos com a porta identificada em inglês e árabe e uma torre de vento própria sobre a ruela.

  1. Museu do Café

    Museu dedicado à história do café árabe e à cultura do qahwa, numa casa restaurada com torre de vento.

O Sheikh Mohammed Centre fica a apenas um minuto pelas mesmas ruelas, por isso vá devagar. Em 1896, um incêndio varreu o Creek e queimou metade das casas de Bur Dubai, a maioria cabanas barasti de folhas de palmeira; as casas de coral e gesso cujas paredes vai roçando foram erguidas nos anos seguintes. Tudo nestas ruelas já foi habitado, abandonado e restaurado desde então, e o silêncio que ouve agora é um luxo recente. Olhe para cima enquanto anda: as torres de vento não são enfeite, mas o ar condicionado do bairro, e não há duas exatamente iguais. O centro é a House 26, o número na parede, uma casa de dois pisos com torre de vento cuja porta se abre diretamente para um pátio forrado de tapetes e almofadas baixas.

  1. 6. Centro Sheikh Mohammed para o Entendimento Cultural

    Centro cultural numa casa com torre de vento onde os visitantes podem perguntar tudo sobre o islão e a vida emiradense.

De volta ao Creek pela Al Seef Street, até ao cais das abras, e depois atravesse a água. A travessia demora poucos minutos e dá a melhor vista do dia: torres de vento e dhows de um lado, o vidro e o betão de Deira do outro, e motores tão ruidosos que ninguém fala até à outra margem. Deira deve parte do seu crescimento a esta margem: em 1841, uma epidemia de varíola deflagrou em Bur Dubai e levou famílias a atravessar a água para se instalarem lá. Desde então o Creek faz do Dubai uma cidade de duas metades. O barco acosta na estação Al Sabkha, na outra margem, onde uma fila de abras espera sob um cais coberto, e isso é Deira.

  1. Abra Dubai

    Táxi aquático tradicional de madeira que atravessa a Dubai Creek por um dirham desde antes das pontes existirem.

Dez minutos pelo velho Deira, primeiro pelo cais junto aos dhows amarrados, depois para o interior pela Old Baladiya Street. Baladiya quer dizer câmara municipal, e o nome é literal: o edifício que acolheu a sede da Câmara Municipal do Dubai de 1957 a 1964 fica nesta rua, no coração do velho souk, e é hoje um pequeno museu. A rua foi repavimentada de ponta a ponta, fechada aos carros e ganhou um novo portão, e liga os souks do Ouro, dos Perfumes, das Tâmaras e das Especiarias num só passeio. Depois o próprio Souk das Especiarias assume o comando, e o ar muda antes das placas: sacos abertos de limões secos, fiadas de pimentos e casca de canela às portas das lojas.

  1. Souk das Especiarias do Dubai

    Mercado coberto de especiarias na antiga Deira, a comerciar incenso, açafrão e cardamomo desde mil oitocentos e cinquenta.

Mais cinco minutos, e as ruelas têm números em vez de nomes até à Sikkat Al Khail Road, mais larga, mais movimentada e cheia de perfumarias. Este é Al Ras, o Cabo, uma das comunidades mais antigas de Deira: um comerciante de pérolas, o xeque Ahmed bin Dalmouk, fundou aqui em 1912 a escola mais antiga conhecida do Dubai, e os ofícios do bairro ficaram simplesmente no mesmo sítio enquanto os edifícios à volta mudavam. A Sikkat Al Khail Road desemboca na rua coberta chamada Gold Souk, e a chegada é inconfundível: uma longa arcada de teto de madeira com montras cheias de ouro do chão ao teto e os letreiros iluminados que o World Gold Council pendurou em cada entrada em 2003, proclamando o Dubai a Cidade do Ouro. Termina no coração do velho Deira, com a estação de metro Al Ras a uma curta caminhada.

  1. Souk do Ouro do Dubai

    Lendário mercado de ouro com mais de 380 joalharias em arcadas da antiga Deira.