Dubai, a cidade do século XXI
Do Museum of the Future pela Sheikh Zayed Road e o DIFC até ao Burj Khalifa, à Dubai Fountain e ao Dubai Mall: torres, finanças e a torre mais alta do mundo. Plano, mas longo e soalheiro, com um troço de 3 km.
Percurso
Está nas passagens elevadas de Trade Centre 2, acima da autoestrada que fez o Dubai moderno. Até aos anos 1990 tinha um nome mais simples; quando foi alargada ao longo dessa década, o governante da cidade rebatizou-a em honra do xeque Zayed, primeiro presidente dos Emirados Árabes Unidos, e a maioria dos arranha-céus de Dubai alinha-se por ela desde então. As gémeas Emirates Towers a seu lado abriram a 15 de abril de 2000, a torre de escritórios e o hotel unidos na base por uma galeria comercial de dois pisos. Aqui em cima o trânsito é um zumbido debaixo dos pés e a sombra vem das próprias torres. Procure o anel: um toro prateado com o céu a aparecer pelo meio, a flutuar sobre um monte verde junto às torres. Dali parte pela Al Boursa Street.
Siga as passagens elevadas ao longo das torres e desça até à Al Boursa Street, cerca de um quarto de hora. Entra no Dubai International Financial Centre, uma zona franca aberta em 2004 que é, juridicamente, quase uma ilha: rege-se pela common law em inglês, com tribunais próprios e um regulador independente, embora o direito penal e as regras de imigração da cidade continuem a chegar-lhe de fora. As torres à volta albergam bancos, escritórios de advogados e fundos, as praças são de pedra polida e a multidão do almoço veste roupa de escritório. É o troço mais sossegado do passeio. A Gate Avenue é a alameda ajardinada que passa por baixo das torres, e chegou quando o grande arco quadrado do edifício Gate fecha a vista, uma moldura sem nada lá dentro a não ser céu.
O troço longo, e o único que pede paciência: a Al Mustaqbal Street e depois o Sheikh Mohammed bin Rashid Boulevard levam-no do distrito financeiro ao Downtown, cerca de quarenta minutos. É a avenida principal que contorna todo o empreendimento. A Emaar construiu-a e deu-lhe primeiro o seu próprio nome; em dezembro de 2012, a promotora rebatizou-a em honra do governante de Dubai. O Downtown é uma cidade de promotor do lancil ao horizonte, e até os nomes das ruas lhe cabia dar. O tubo de vidro sobre pilares a seu lado, no fim, é o Metro Link, a passagem climatizada aberta no fim de 2012 para que os passageiros do metro chegassem ao centro comercial por tapetes rolantes. Duas torres esguias unidas no topo por uma barra horizontal de vidro erguem-se sobre ele; essa barra é o miradouro.
Refaz o caminho pela Metro Link e deixa que a avenida te leve ao Opera District, um quarto de hora. A Emaar planeou o Downtown Dubai em dois registos: arranha-céus de vidro na maior parte do distrito e, em redor do lago, a Cidade Velha, construída de propósito num estilo árabe de poucos andares, com muros cor de areia e passagens sombreadas. O Opera District fica entre os dois, e é aqui que a escala diminui: as torres afastam-se, o passeio alarga-se numa promenade e surge a primeira água. O Burj Khalifa preenche o céu o tempo todo, mais perto a cada minuto. A Ópera é a fachada de vidro facetado à beira do lago, a olhar por cima da água para a fonte e a torre.
A torre vai crescendo ao longo de todo o caminho pelos passeios junto ao lago, dez minutos, até ter de inclinar a cabeça para trás. A água que contorna é o Burj Khalifa Lake, e o relvado ao pé da torre é o Burj Park, construído numa ilha artificial desse lago e inaugurado com a torre em 2010, segundo o projeto do gabinete paisagista SWA. É aqui que Dubai dispara o canhão do Ramadão todas as noites e de onde se assiste ao fogo de artifício da passagem de ano. A relva é verdadeira; a sombra é pouca. A paragem é o pé da torre, onde ela se ergue mesmo por cima de si e a sua base, um conjunto de plataformas baixas de vidro, finalmente parece um edifício e não um traço no céu.
Mal chega a ser um troço: a beira da fonte fica a poucos minutos adiante, junto à água. A seu lado, durante todo o caminho, está o Burj Khalifa Lake, um lago artificial com cerca de doze hectares escavado no centro do Downtown, o único elemento em torno do qual a Emaar construiu o bairro inteiro: o centro comercial numa margem, hotéis e os blocos baixos cor de areia da Old Town noutra, a torre na sua ilha. Tudo se volta para a água, a razão de ser de uma cidade no deserto que gastou uma fortuna num lago. De dia a superfície está calma o suficiente para distinguir as filas de bocais por baixo; depois de escurecer a multidão reúne-se aqui. Mesmo em frente, do outro lado da água, estão os terraços do centro comercial, e a longa fila de repuxos acompanha toda a margem próxima: esta é a paragem.
O lago é maior do que parece: demora quase vinte minutos a contorná-lo até às portas do centro comercial voltadas para a água. Tudo isto, o lago, as torres, a ópera, o centro comercial, assenta num terreno que ainda se chamava Umm Al Tarif em 2000. Desde então a Emaar construiu ali um distrito orçado em vinte mil milhões de dólares. A caminhar pela margem, lês o plano: vidro no horizonte, muros baixos de estilo árabe junto à água, a torre ao centro, e cada caminho a curvar para que a água fique sempre à vista. O centro comercial anuncia-se como um longo muro de terraços empilhados acima do passeio, com largas escadarias e portas de vidro por baixo, e o lago da fonte a bater-lhe na base.
Dois minutos dentro do edifício: é o fim do percurso e o seu único troço com ar condicionado. O Dubai Mall é um dos maiores centros comerciais do mundo em área, com mais de mil e duzentas lojas sob um único teto, e atravessá-lo é seguir um corredor de mármore, ar fresco e luz polida depois do calor lá fora. As pessoas abrandam ao aproximar-se do fim, com os telemóveis no ar e as crianças coladas ao vidro. Chegaste quando o corredor se abre para uma parede de água azul com três pisos de altura, com grandes peixes e raias a passar diante dos reflexos dos visitantes.