La Serenissima, a cidade construída sobre a água
Veneza é uma cidade que, por todas as regras, não devia existir — um labirinto de palácios de mármore e cúpulas douradas erguido sobre mais de cem ilhas de uma laguna pouco profunda, cosido por canais e cerca de quatrocentas pontes. Durante quase mil anos, de 810 até à chegada de Napoleão em 1797, foi a capital da República de Veneza — La Serenissima, a «Sereníssima» — um império marítimo que enriqueceu com o comércio com o Oriente e gastou essa riqueza em arte, mosaicos e numa arquitetura que não se encontra em mais nenhum lugar da Terra. Desde 1987, toda a cidade e a sua laguna são Património Mundial da UNESCO.
Aqui não há carros, o que faz de Veneza talvez a cidade perfeita do mundo para explorar por conta própria: deambule pelos seis sestieri históricos ao seu ritmo, com um audioguia nos ouvidos, e cada campo, igreja e palazzo à beira do canal começa a contar a sua história.
O coração: a Praça de São Marcos
Toda a visita gravita para a Praça de São Marcos, coração político e cerimonial da República durante mais de mil anos. Aqui, as cúpulas bizantinas e os mosaicos dourados da Basílica de São Marcos erguem-se ao lado da fachada gótica rosa e branca do Palácio Ducal, sede dos governantes de Veneza, de onde a fechada Ponte dos Suspiros atravessa para as antigas prisões — cada monumento com um audioguia que desvenda os seus dramas, das eleições dos doges aos últimos olhares dos prisioneiros sobre a laguna. Suba ao campanário para ver os telhados vermelhos até ao mar e regresse depois do pôr do sol, quando as multidões rareiam e a praça iluminada se torna silenciosamente mágica.
Para lá da praça
Atravesse a Ponte de Rialto — a mais antiga do Grande Canal, com o seu mercado centenário ao lado — e Veneza continua a revelar-se: a dourada casa de ópera La Fenice, renascida das cinzas mais do que uma vez; a grande silhueta abobadada de Santa Maria della Salute a guardar a foz do canal; obras-primas de Ticiano nos Frari; arte moderna na Coleção Peggy Guggenheim; e curiosidades como uma livraria que guarda os livros em gôndolas e banheiras contra as cheias da acqua alta, ou um palazzo escondido com uma escada em caracol digna de um conto de fadas.
«Construída sobre cem ilhas com riquezas do comércio e despojos do Oriente, os seus palácios de ar exótico são entrelaçados por canais salpicados de sol.» — Rick Steves
Venha por um dia e verá os ícones; fique por uma noite e perceberá por que razão os românticos se rendem há séculos à elegante decadência de Veneza. Carregue no play, perca-se e deixe a cidade narrar-se a si própria.