Onde os Alpes mergulham na água
O lago de Como é a Itália em sua versão mais teatral: um Y invertido de água esculpida por geleiras, com até 425 metros de profundidade, onde montanhas cobertas de floresta despencam direto sobre margens repletas de vilarejos em tons pastel e vilas neoclássicas. A apenas uma hora ao norte de Milão, é refúgio há dois mil anos — os romanos vinham aqui em busca do otium, a vida ociosa do espírito, e a riqueza da seda de Como pagou depois as suntuosas propriedades que ainda margeiam suas águas. É um lugar feito para a exploração lenta e por conta própria: pule nas balsas que costuram os vilarejos do centro do lago e deixe um audioguia contar a história de cada vila e vilarejo à medida que eles surgem diante de você.
Três braços, três climas
No ponto onde os três braços do lago se encontram fica Bellagio, a “pérola do lago” — vielas íngremes de paralelepípedos como a Salita Serbelloni subindo entre butiques de seda, os jardins ingleses da Villa Melzi à beira d'água e a ponta panorâmica de Punta Spartivento, onde você pode ficar no ponto exato em que as águas se dividem. Do outro lado, Varenna guarda o charme mais quieto de um antigo vilarejo de pescadores: casas em ocre e rosa desbotados, vielas medievais no penhasco, o Passeio dos Namorados à beira do lago e o jardim botânico de dois quilômetros da Villa Monastero, um antigo mosteiro transformado em joia. No extremo sul do lago, a cidade de Como ancora tudo com fundações romanas, um Duomo muitas vezes chamado de última catedral gótica construída na Itália e um funicular do século XIX que leva você até Brunate, a “varanda dos Alpes”.
Vilas com histórias para contar
É nas vilas que a história de Como se torna pessoal — e é aí que o audioguia mostra seu valor. A Villa del Balbianello, empoleirada num promontório arborizado perto de Lenno, começou como mosteiro franciscano do século XIII, virou refúgio de verão de um cardeal em 1785 e terminou como casa do explorador Guido Monzino, cujas relíquias de expedições ao Everest e aos polos ainda enchem seus cômodos; seus jardins em terraços já interpretaram uma galáxia muito, muito distante em Star Wars e a convalescença de James Bond em Cassino Royale. A vizinha Villa Carlotta une obras-primas de Canova e Hayez a hectares de jardins botânicos que explodem em azaleias a cada primavera.
Venha do fim de abril a junho ou em setembro, quando os jardins estão no auge e as balsas menos cheias — e deixe o lago ditar o ritmo.
Com um dia ou uma semana, o lago de Como recompensa quem passeia com um narrador no ouvido: cada atracadouro, loggia e capela à beira do lago guarda uma história que vale a pena ouvir.